Domingo, Janeiro 10, 2010



Sweet Disposition (The Temper Trap)

Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Feliz Natal !

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Seda

Com Miguel Madjer e Ricardo Santos (Donna Maria), na estreia de Gabriela Barros na voz, o projecto Seda recua à década de 80 para reler e atribuir um toque suave e leve a conhecidos temas da música portuguesa.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Tem dias ...
Hoje apetece-me ir de Taxi

Domingo, Junho 28, 2009

O Norte é mais Português que Portugal

Texto: Miguel Esteves Cardoso - Foto: Inês Gonçalves
in K, Nº 2, Novembro de 1990

NORTE NOME DE PORTUGAL

Primeiro, as verdades. O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.

Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.

Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.

Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.

Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?

Michael Jackson
Alvalade, 26 de Setembro de 1992

Já não temos por cá o cenário nem o personagem principal.
Mas ficou-nos gravado na memória. E para a história.

Foto: arquivo JN

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Revelação

Já decidi, está decidido !
Voto ... Miguel Carvalho !!!

"O comportamento desviante faz-nos falta. Mostra-nos como somos e o que somos, de facto. Como feras na selva. Deixemos a diplomacia para os diplomatas. E a etiqueta para a Bobone. Já viram a quantidade de gente civilizada que nos levou ao abismo?"

Gostei, pela justiça e oportunidade, da parte do "abismo" ...

Segunda-feira, Maio 18, 2009

. Dr1ve com Lúcia Moniz

Depois da redifinição interna ocorrida no ano passado, Dr1ve, o agora trio de Santa Maria da Feira, regressou com "A Wish (keep fighting)". O tema, com participação de Lúcia Moniz, integra a banda sonora do filme "A Escritora Italiana" (André Badalo).

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Amália Hoje

Mesmo não conhecendo todo o álbum, adivinha-se notável o regresso dos The Gift com “Amália Hoje”, trabalho que transforma em canções pop alguns fados de Amália Rodrigues.
Com os The Gift estão Fernando Ribeiro (Moonspell) e Paulo Praça (Plaza) num projecto que incita a descobrir e a gostar (ou a gostar ainda mais) de fado.
A voz da Sónia Tavares continua uma delícia. Cada vez mais saborosa.

Domingo, Março 29, 2009

Adriana

A voz de Adriana chega devagar. Passa primeiro ao largo, num jogo de sedução discreto, como quem nem reparou em nós, mas sabe que não temos por onde escapar. Não nos dá a mão e não nos arrasta consigo à força. Vai-nos envolvendo docemente, com vagar, nos meandros de uma pop leve, levezinha que navega livremente entre o jazz, a bossa nova e uma música portuguesa sem idade. Como se o balanço de cada sílaba, embrulhado num delicioso embalo rítmico, se passeasse de braço dado com melodias de uma simplicidade quase infantil e, por isso, quase perfeitas.

(...)

Aos 25 anos, Adriana lança o seu disco de estreia, sete anos depois de ter desembarcado nos Estados Unidos e ter aprendido que nada é controlável. Agora, que não tenta planear demasiado a sua vida ou tê-la debaixo de regras restritivas, assume como objectivo conquistar os seus medos. Um deles era produzir este álbum, onde ela canta, toca flauta, guitarra, piano.


Acerca do álbum Adriana. In http://www.myspace.com/adrianacompt
Bio Adriana (pdf).

Sexta-feira, Março 13, 2009

O João deixou-nos

Amigo, Homem e Jornalista enorme.
De causas e paixões.
Afincadamente, dedicou parte da sua vida à defesa dos jornalistas e da liberdade de imprensa.
Colega e amigo, livre e apaixonado por intermináveis horas em torno das palavras, em conversas de encontros de classe, na redacção ou sempre que o momento proporcionasse.

Obrigado por tudo, João.

Faz dez anos que estiveste connosco, em Guimarães, a ajudar na organização da Convenção de Jornalistas e a valorizar o debate. Sentiremos a tua falta na segunda Convenção que eles vão organizar, porventura, num momento em que os problemas da classe se agudizaram.

Faz por agora treze anos que vieste falar de liberdade de imprensa.
Sentiremos a tua falta no debate permanentemente adiado sobre essa "preciosidade" que começa a rarear.

Assino a nota do Sindicato dos Jornalistas.
E aconselho a leitura de "Um jornalista preocupado com o jornalismo".

Obrigado, João.

A foto foi emprestada pela devida comédia

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

Do simplex ao compliquex

Em Guimarães, quem necessitar de revalidar, alterar ou pedir segunda via da carta de condução poderá tratar disso no Posto de Atendimento ao Cidadão (Edifício Cybercentro, Travessa de Vilaverde).
O Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, passou, porém, a disponibilizar o mesmo serviço online, porventura no âmbito do Simplex, aquele programa "desenhado para simplificar a vida dos cidadãos".
Concretizado o pedido online e efectuado o pagamento, a surpresa surge dias depois: "informamos que a sua carta de condução foi processada e poderá ser levantada na Delegação Distrital de Viação, Rua do Poente, ... Braga".
Vai longe o simplex.

Sábado, Dezembro 27, 2008

Verdade ou coincidência ?


2008: Viva la Vida (Viva la Vida or Death and all his Friends)
Coldplay


2004: If I Could Fly (Is There Love In Space?)
Joe Satriani, um dos melhores guitarristas da actualidade

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Bem bom. Ou antes: muito bom !



EPK (Electronic Press Kit) do trabalho a solo do "maior poeta português ao vivo".